9 de fevereiro de 2018

Historiador aborda raízes culturais da América Latina em livro

O lançamento do livro, uma parceria do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural (IOK) com o ex-secretário do Ministério da Cultura Célio Turino, será realizado no dia 26/02, no Memorial da América Latina

“Cultura a Unir os Povos – a Arte do Encontro” propõe uma profunda reflexão acerca das raízes culturais latinoamericanas e de nossa identidade como povo e sociedade. Bebendo na fonte de nomes como Darcy Ribeiro, Euclides da Cunha, Eduardo Galeano e Sérgio Buarque de Holanda, o livro quer traduzir as mazelas trazidas nas caravelas, às línguas que herdamos dos colonizadores, passando pela importação de hábitos, gestos e timbres vindos da África. A publicação promove um debate histórico para a compreensão cultural dos nuances que transformaram, num só, os 20 países que fazem parte da região. Graficamente belo, dá ênfase a fotografias que retratam as diferentes culturas dos povos que habitam ou habitaram a América Latina, “O livro que agora lanço  tem por objetivo fomentar o debate acerca das raízes culturais da América Latina e de como esta nossa sabedoria ancestral e comunitária pode nos auxiliar a superar todos os grandes problemas sociais, econômicos e culturais que uma história de quinhentos anos de colonialismo e opressão nos impôs“, comenta o autor, ressaltando ainda a riqueza das “histórias de uma América Latina escondida, esquecida e desprezada”.

Entre as comunidades destacadas no livro estão a zona arqueológica de Tajín – no México; Cuzco – no Peru e Medellín – na Colômbia. Do Brasil, Célio Turino aborda projetos educativos e culturais que têm suas digitais. Um deles é o Programa Cultura Viva, criado por ele, que espalhou mais de dois mil Pontos de Cultura, espaços que fomentam a produção cultural, por todo o país, “um ponto de cultura condensa a cultura viva e pode acontecer à sombra de uma árvore, em uma garagem, um quiosque, em casas abandonadas“, comenta.

Outra iniciativa importante abordado pelo autor é o Scholas Cidadania, criado pelo Papa Francisco quando ainda era Arcebispo de Buenos Aires e desenvolvido agora pelo Vaticano. O programa propõe um pacto educativo com toda a sociedade, buscando abraçar todos os agentes sociais que estejam dispostos a superar os desafios que a atual crise civilizatória exige. Entre as iniciativas propostas pelo programa está o debate entre crianças e adolescentes sobre os destinos de suas comunidades e tem por objetivo propor soluções que são levadas às autoridades. “Durante cinco dias, jovens com a maior diversidade possível, estudantes de escolas públicas e privadas, católicos, evangélicos, agnósticos, judeus e religiões de matriz africana, dos mais diversos estratos sociais se juntam para formular ideias transformadoras, em que a chave para a solução dos problemas está nessa Cultura do Encontro“, explica. Em outubro de 2016, cerca de 300 estudantes se reuniram no auditório do CEU Cidade Dutra, em São Paulo, para apresentar as propostas discutidas durante um encontro de jovens promovido pelo instituto.

Uma das 12 entidades escolhidas no mundo para participar do Scholas é o Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural (IOK), associação sem fins lucrativos que promove a inclusão na sociedade de pessoas com deficiência intelectual, por meio de oficinas esportivas, de dança e arte. Cerca de 3.500 pessoas participam das oficinas, incluindo, também, pessoas sem deficiência que se encontram em situação de vulnerabilidade social e moram em regiões próximas aos locais onde as oficinas são realizadas.

Estamos muito felizes em termos sido escolhidos para integrar esse trabalho grandioso da Igreja Católica que pretende apoiar pelo menos 200 mil projetos de inclusão ao redor do mundo“, afirma  Wolf Kos, presidente do IOK.

Célio Turino conta que conheceu o trabalho do IOK quando era Secretário da Cidadania Cultural, no Ministério da Cultura. “Eles (IOK) estavam iniciando suas atividades, com o oferecimento de oficinas artísticas para crianças e pessoas com deficiências intelectuais, com ênfase em síndrome de down. O trabalho chamou minha atenção pela preocupação que eles sempre tiveram com a dimensão estética, buscando estimular os participantes com novas referências e instigações artísticas, inclusive levando artistas consagrados às oficinas. O significado mais expressivo pode ser resumido na frase do próprio Instituto: Pintou a Síndrome do Respeito!”, relembra o historiador, brincando com o nome de um dos programas do IOK.

O lançamento oficial da obra será no dia 26 de fevereiro,  durante uma vernissage e sessão de autógrafos, das 19h às 22h, no Memorial da América Latina. O espaço onde ocorrerá o evento é emblemático para o historiador já que lá está uma das obras mais importantes de Cândido Portinari, o Painel Tiradentes, de 1948, em homenagem ao líder da Inconfidência Mineira.  

A trajetória de Celio Turino como aguerrido ativista dos movimentos sociais e culturais desde o século passado já seria suficiente para aplaudirmos essa nova obra que o Memorial tem o privilégio de receber e compartilhar com o público de São Paulo. É um grande prazer para a Fundação apoiar e incentivar iniciativas do Instituto Olga Kos, que é referência no atendimento de pessoas com deficiência intelectual e em situação de vulnerabilidade”, exalta o presidente da Fundação Memorial da América Latina, Irineu Ferraz.

Olga Kos, vice-presidente do IOK, destaca a importância da parceria do Instituto na publicação da obra de Célio Turino.

Para nós do IOK é fundamental apoiar projetos que visam fomentar o panorama artístico‐cultural do país e que contribuem para a democratização do acesso da sociedade aos bens artísticos nacionais e internacionais, visto que um dos objetivos é melhorar a comunicação entre os povos e a troca de experiências. O ideal é fomentar a paz e a inclusão entre as pessoasconclui.

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